sábado, 17 de dezembro de 2011

Parreirinha


Se você, amigo corintiano, não assiste à TV Corinthians, não sabe o que está perdendo. Ontem acompanhei - com lágrimas nos olhos – a entrevista dada por Waldemar Dias Coelho, o Mário do restaurante Parreirinha.
Gravada na casa dele, com o bandeirão ao fundo (tapando a porta do banheiro), a linda repórter até se assustou com o senso de humor, suculência e a aula de corintianismo do Mário que, pra quem não lembra, é irmão gêmeo do Miro (um dos maiores parceiros de conversa que tive na vida). Por mágica que a natureza consegue – ao concebê-los univitelinos – parecia que eu havia entrado em transe e estava vendo o amigo Miro ressuscitado. As opiniões eram as mesmas: o melhor jogador que jogou no Corinthians foi, para ambos, o ponta-meia Cláudio Cristóvão do Pinho e a melhor linha de ataque começava com ele.
Não perdoam Rivellino, principalmente no fatídico jogo contra o Palmeiras em 1974 e fazem reverências a Colombo, Grané e Luisinho. Mário lembrou-se do apelido “Ferro Velho”, usado antes que fossem consagrados Timão e Coringão. Rememorou conquistas dos times em que esteve Marcelinho Carioca e disse que o restaurante enchia nos dias de jogos Corinthians X Pelé, durante o tabu. Não perdoam a derrota para o Goiás, que nos livraria do Tolima. Sobre Ronaldo Fenômeno, assim como com Rivellino, admitem o talento incomparável dos dois, mas não se esquecem de que falharam na hora H.
Os únicos dias em que o Parreirinha fechou foram na quebra do tabu contra o Santos e na redenção contra a Ponte. Fechou não. Eles bem que tentaram fechar a porta de aço, mas ela travou e não desceu. Eles simplesmente apagaram a luz.
Em 1976, os irmãos foram ao Rio, junto com os clientes, na Invasão Corintiana e, em mais uma lição, Mário explicou que a vitória contra o Fluminense não foi tão importante quanto a própria Invasão. Destacou que, se a final contra o Internacional fosse em São Paulo “...sei não, acho que dava nós”.
Dos clientes, destacou Basílio Pé de Anjo, o Mais Fiel ao Parreirinha, pois freqüentou os três endereços daquele santuário à amizade. Miro – ou seria Mário? – dizia que “...o Parreirinha é um clube de amigos e, durante muito tempo, era a sub-sede do Corinthians”.
O Miro me faz muita falta, que o irmão Mário aplacou um pouco. E ainda bem que somos todos corintianos e temos um jeito diferente de encarar a paixão por um clube e a amizade. Não quero dizer que a vida é fugaz, mas ela é.


Kiko Mazziotti
Agosto/2011

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