Com a morte de Beto Carreiro, soube que ele, criança, almejava ser o Zorro brasileiro e trabalhar em um parque de diversões.
O fato chamou a atenção por alguns motivos. Primeiro porque o publicitário Sérgio Murad, depois conhecido por Beto Carreiro, tinha um quarteirão alugado na Avenida Rebouças, onde funcionavam duas churrascarias, sua agência de propaganda e um estacionamento onde eu abrigava meu velho Corcel Um.
Ele passou o valioso imóvel pra frente, com o objetivo de construir um parque no litoral catarinense, onde passei alguns verões movido a camarões fritos, preparados com esmero por um corintiano fantástico (A maioria é: tanto os corintianos quanto os camarões).
Ele levou a sério o sonho de trabalhar em um parque de diversões. Acabou construindo um, onde era o protagonista. Que coisa louca isso! O sujeito acha que é o Zorro, vai lá, constrói um parque gigantesco, é considerado o Walt Disney brasileiro, diverte milhões de crianças e vira o Zorro, empinando seu cavalo e gritando “Aiôuuu, Silver...”.
Morreu precocemente aos setenta anos – feliz e realizado – e os bandidos finalmente dormirão em paz, sem o cavaleiro mascarado a perseguí-los pelas pradarias.
Kiko Mazziotti
Janeiro 2008

1 comentários:
Kiko, conheci o Sergio Murad e seu estacionamento na época da Gang, lá pelos anos 80. Ele era empresário dos Trapalhões e, certa vez, fomos lá no escritório dele aprovar uns comerciais para a Estrela. Nessa epoca, ainda não era o Beto Carreiro, mas já possuía um jeitão meio paladino.
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