Nos últimos tempos, achei uma posição de leitura confortável. Deito de lado, com a cabeça apoiada em um travesseiro, além de outro amarfanhado, que serve de berço para o livro e dá acesso a todas as páginas (Ainda bem! Seria terrível ler só as pares). O perigo mora ali mesmo, pois a posição é tão confortável que, muitas vezes, caio nos braços de Morfeu ou, como dizia meu bom pai, compro uma passagem para Lençóis Paulista, onde já estou.
Ficar na cama faz bem ao corpo e ler um bom livro é excepcional para a mente. E aí pergunto: - Pra quê televisão, Deus do céu? Qual é o motivo para uma pessoa assistir a tanto lixo televisivo?
Há 3 tipos de programação: televendas, massacre evangélico ou lixo mesmo, sob forma de novelas, programas de auditório e esportivos, talk shows, telejornais sanguinolentos e filmes de quinta categoria, com explosões toscas, feitas no computador. Nas tevês por assinatura, o lixo também se espalha, salvo poucas exceções.
Há programas de culinária que ainda dá pra engolir e os vídeos divertidos do Animal Planet, com texto primoroso de humor e a série sueca Wallander. A anestesia televisiva tem efeito colateral bem perigoso: elimina o papo em casa. Cada filho em um quarto com micro e a bendita televisão ligados. E a conversa fica calada.
Vamos acabar como a velhinha que conversava com a tevê. A não ser que o governo baixe um decreto para obrigar todo cidadão a ler um livro por semana. E não vale do Paulo Coelho.
Kiko Mazziotti
Outubro 2010

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