Jamile de Castro Nascimento, 24 anos, arquiteta, tinha terminado seu curso em avaliação de imóveis. Linda, rosto suave, gostava de sorrir e dos amigos, juntava dinheirinho para visitar o irmão, em Londres, onde daria uma caprichada no inglês. Naquele dia, saiu de casa para ver um imóvel na Vila Mariana. Na portaria do prédio, tocou o interfone e falou:
- Combinei com a imobiliária que visitaria o apartamento à venda.
O porteiro Jadson José do Santos, que esperava ser efetivado no novo emprego, pediu um minutinho. Jamile pensava na agenda: depois da visita, iria ao escritório para ver e-mails, almoçaria com a amiga Érica...
- Pode entrar, o apartamento é no 4º andar e a chave está na porta.
Era necessário rebaixar o teto, tornar o ambiente mais acolhedor, trocar a cor das paredes, madeira no piso, eliminar a tela esgarçada... Com pequenos ajustes, o imóvel ficaria uma gracinha... E pertinho do Metrô.
Ao encerrar, desceu para devolver a chave e assinar o livro de presença; dentro da guarita, do nada, Jadson se transformou em um monstro, dominando a moça e espancando-a até a morte.
Para roubar sonhos e cartão de crédito, Jadson não deu a mínima chance à vítima. Arrastou o corpo imóvel ao tanque de água pluvial do prédio. Já com o carro e os cartões de Jamile, sacou 500 reais, comprou celulares e seguiu trabalhando a poucos metros do tanque fatídico.
Ele já havia atacado outras pessoas, entre elas uma policial, que o descreveu como extremamente violento.
Ele “colaborou com a polícia”, dando falsas dicas sobre a localização do corpo. Com inteligência, a investigadora conseguiu capturá-lo, fingindo ser funcionária da loja de celulares, onde ele voltou para ser preso.
Jamile não deve ter o sobrenome Nascimento à toa. Fico matutando se ela já não está de volta por aqui, tentando arquitetar um futuro melhor para esse mundo sem lógica.
Kiko Mazziotti
Agosto/2007

2 comentários:
Comentário-teste.
Gostei Kiko, parabéns. EM
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